O doutor Marcelo Portugal Gouvêa, advogado de carreira e sãopaulino por paixão, faleceu no último 29 de novembro, vítima de complicações provindas de uma cirurgia de ponte de safena que ele havia sofrido. Eu não sou muito bom com notas de despedidas, mas sinceramente, esta foi uma notícia que me arrasou, pouco antes do início do jogo São Paulo vs. Fluminense, no último domingo. Até então eu estava empolgado com a possibilidade de já vencer o hexa-campeonato brasileiro, mas após a notícia, só procurava razões para me consolar.
Por que tamanha tristeza? Eu explico: M.P.G. (Marcelo Portugal Gouvêa) foi o presidente por trás dos excelentes anos de 2002 a 2006, quando o SPFC formou um grande time e foi campeão do paulistão 2005, da libertadores 2005, do mundial 2005 e do Brasileiro de 2006. E em 2006 quase fomos campeões da libertadores também. Mas as realizações do Presidente não param por aí, ele foi responsável pela construção do Centro de Formação de Atletas Laudo Natel (Cotia, interior de SP) e o Reffis, o nosso centro de recuperação de atletas, com reconhecimento mundial.
M.P.G. foi diretor de futebol do São Paulo entre 1988 e 1990, sendo 1990 o ano em que fomos tri-campeões brasileiros e o ano que serviu de base para o time que foi bi-campeão da Libertadores e bi-campeão Mundial Interclubes, com o comando em campo do nosso consagrado mestre Telê Santanna.
M.P.G. também foi o responsável por trazer o zagueiro Lugano, até então um desconhecido, bancou sua ascensão e titulariedade na equipe principal, e o jogador se sagrou um ídolo em campo.
M.P.G. também é protagonista de uma história muito interessante: em 2004, na véspera da reeleição da presidencia do SPFC, M.P.G. chamou à sua sala o goleiro titular do clube, Rogério Ceni, para uma conversa. O presidente queria assinar o contrato de renovação do goleiro. Rogério Ceni leu o contrato, e meio sem jeito, interveio: “Presidente, acho que tem algo errado com a multa”.
E Marcelo Portugal Gouveia respondeu:
“Não, filho. Vou te explicar. Não sei se ganho a próxima eleição. Se o pessoal do Paulo Amaral voltar, é capaz de mandar você embora, de não renovar seu contrato. Com essa multa fica inviável que alguém te contrate e que eles te mandem embora”
Rogério ficou emocionado. Assinou o contrato chorando.
A rescisão contratual, estipulada em dólares norte-americanos, se convertida em reais, era de cerca de R$ 100 milhões.
E o resultado dessa levantada de bola não demorou a aparecer: Rogério Ceni levantou os títulos paulista, da libertadores e do mundial em 2005, e em 2007 alcançou a marca do maior goleiro artilheiro de todos os tempos.
Presidente, MUITO OBRIGADO pelos seus serviços, estou emocionado e não tenho mais palavras para agradecer a todas as felicidades que eu, com meus 27 anos de vida, tive a celebrar como Sãopaulino.
Fique com Deus!


Dezembro 15, 2008 às 1:14 pm
Saudades MPG!
Fique com Deus, sou seu fã de coração!!
Dezembro 15, 2008 às 1:15 pm
Felipe, realmente o mundo do futebol perdeu um dos seus grandes dirigentes…perdem todos, sofrem mais os sãopaulinos…quem sabe um dia, meu Bentão num tem um cara como MPG no comando…